A proposta de “níveis de qualificação profissional” da SAB e a atuação dos egressos dos cursos de graduação em Arqueologia

A proposta de “níveis de qualificação profissional” da SAB e a atuação dos egressos dos cursos de graduação em Arqueologia


Devemos reconhecer o esforço que a Sociedade de Arqueologia Brasileira (SAB) tem feito para que a profissão de arqueólogo seja finalmente reconhecida. Neste âmbito, têm sido realizados debates e unidas forças para tal fim, no entanto, entendo que são necessários e urgentes discussões acerca da proposta apresentada pela comissão formada por membros da diretoria da SAB, discussões estas, que possam aprimorar a proposta apresentada pela Sociedade.
O primeiro ponto exortativo é quanto a representatividade abrangida pela comissão que redigiu a proposta em questão, esta, contou com membros da diretoria da SAB, arqueólogos da área empresarial e do IPHAN, conforme o referido documento. Bem, é de consenso que se configura uma mudança no quadro profissional da Arqueologia brasileira com a criação dos cursos de graduação, neste sentido, como discussão que deve ser posta no centro dos debates, porque não envolver os estudantes na construção da proposta? Afinal, estes estão deveras preocupados com seu futuro frente a profissão que escolheram.
A segunda questão é no que se refere aos critérios que estabelecem quem é e, quem exerce a profissão. Como explicitado, desde o início da década de 70 com o curso da Estácio de Sá, grande parte da formação estava ligada às disciplinas de História e Geologia, no entanto, hoje os curso de graduação, (em especial o bacharelado da Universidade Federal do Rio Grande – FURG do qual sou aluno), estão bem estruturados e, preparando profissionais críticos e autônomos, com uma grade curricular que preenche as lacunas do pensamento teórico e metodológico dos principais temas da Arqueologia brasileira. Desta maneira, creio ser injusta a proposta de obrigar que os bacharéis complementem sua formação com um mestrado, visto que durante os quatro (04) anos de graduação somos submetidos a uma carga evidentemente superior que, possibilita ainda aos estudantes, traçar itinerários formativos distintos, valorizando a capacidade de ação de cada um e suas aptidões particulares.
Quanto ao mercado de trabalho, cujo principal expoente é a chamada Arqueologia de Contrato, cabe ressaltar que para grande maioria dos egressos dos bacharelados em arqueologia, este é o destino ao final do curso. Afinal, quando se criaram cursos de graduação em arqueologia, pressupõe-se que tenham pensado e tomado como argumento, a grandiosidade do território brasileiro, a escassez de profissionais qualificados e, as continuas obras que a cada dia impactam o patrimônio arqueológico que é meu, que é seu, que é bem de todos. Assim, quando construíram Perfis Políticos Pedagógicos dos cursos, definiram-se quais as características necessárias para que o egresso possa exercer a profissão, perfis estes que foram submetidos à análise e aprovados pelos Conselhos Universitários e pelo MEC. Deste modo, pressupõe-se novamente, que se tenha refletido quanto ao posterior exercício da disciplina por estes profissionais, ora estudantes, certos de que sairiam das universidades com o ferramental teórico e metodológico necessários para o bom desenvolvimento de projetos e peritagens.
Creio ainda, que outros profissionais de áreas afins, como Biólogos, Geógrafos ou Historiadores não constituem, ao menos não neste momento, ameaça quanto à competição de mercado, mas todavia, nossos próprios pares. O discurso de estratificação de uma qualificação me parece sem fundamento, centralizador e pautado em modelos exóticos e, que favorece profissionais já projetados e que dominam este mercado subjugando os bacharéis. É evidente que há preocupação e merece ser dada atenção aos trabalhos de contrato que vêm sendo desenvolvidos no país, para que estes, sigam diretrizes teórico metodológicas condizentes com a formação de um profissional de arqueologia, no entanto, como reconhecido, muitos profissionais com pouca ou nenhuma fundamentação têm trabalhado e assinado projetos e peritagens, estes por conseguinte, têm realizado a gestão do patrimônio arqueológico, apurando a autenticidade e atribuindo valoração (ou não) aos bens arqueológicos do país. É com estes indivíduos que temos de nos preocupar, ao invés de cercear a liberdade de um profissional atuar em sua área, e moldurá-lo como mero auxiliar ou técnico, para isto, cria-se cursos tecnólogos.
Queremos sair da graduação, trabalhar em contrato, fazer mestrado e doutorado, se for de interesse, assinar laudos, coordenar campo, queremos ser reconhecidos como arqueólogos no sentido pleno do termo, tanto quanto a velha guarda e, principalmente por estes, antes de pleitarmos sermos reconhecidos por outros.

Sem mais e com arrojo, gostaria de convidar todos os estudantes das graduações em Arqueologia do país, para que posicionem-se e construam documentos junto aos seus diretórios ou centros acadêmicos, e que enviem representantes à reunião no Ministério Público Federal de São Paulo, em 05/04/2011 para discutir nossa atuação profissional.





André Ávila Pinto
Graduando em Arqueologia
Universidade Federal do Rio Grande – FURG
Read More

Arqueobotânica no EcoMuseu da Picada

Arqueobotânica no EcoMuseu da Picada: iniciando os estudos florísticos e as coleções de refêrencia

Já está disponível em Arqueologia Digital o Resumo em PDF do trabalho apresentado no I Ciclo Sul-Americano de Conferências de Arqueologia Pré-Histórica CISCAP.

Para o download do arquivo basta clicar no título da postágem.

Abs à todos!
Read More

O Potencial Interpretativo do Espaço Escolar: o controle e a vigilância

Ensaio apresentado à disciplina de Introdução à Cultura Material da graduação em Arqueologia da Universidade Federal do Rio GRande FURG.

Para download do arquivo em PDF basta clicar no título que contém o link.

Abraços e boa leitura!
Read More

Concurso ArqueoFoto



Read More

CISCAP - Inscrições Abertas




Inscrições abertas para o Ciclo Sul-Americano Arqueologia e Pré-História Estão abertas até o dia 24 de maio as inscrições para ouvintes e apresentação de trabalhos no 1º Ciclo Sul-Americano de Conferências de Arqueologia Pré-Histórica e 2ª Semana Acadêmica de Arqueologia da FURG. As inscrições para podem ser feitas pelo site http://www.ciscap.furg.br.

O evento será realizado de 24 a 28 de maio, no Cidec-Sul, Campus Carreiros, e trará à Rio Grande, entre outros conferencistas, o pesquisador da Universidade de Paris, Prof. Dr. Eric Boeda e o diretor do Museu Nacional de História Natural de Paris, Prof. Dr. Denis Vialou.

Conferencistas

- Prof. Dr. Denis Vialou
Diretor do Museu Nacional de História Natural de Paris, autor de diversos livros e projetos na área de Arte Rupestre, sendo referência mundial no tema.

- Prof. Dr. Eric Boeda
Referência mundial em tecnologia lítica, é atualmente pesquisador da Universidade de Paris, sendo um dos grandes nomes da Arqueologia Pré-histórica.

- Profa. Dra. Denise Schaan
Ph.D. em Antropologia Social (Arqueologia) pela Universidade de Pittsburgh, atualmente é Professor Adjunto I da Universidade Federal do Pará (Faculdade de Ciências Sociais), e Vice-Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Antropologia (com áreas de concentração em Arqueologia, Antropologia Socio-Cultural e Bioantropologia). Dedica-se à pesquisa arqueológica na Amazônia, atuando principalmente nas seguintes áreas: sociedades complexas, ecologia histórica, arqueologia da paisagem, gênero, simbolismo, cultura material, patrimônio cultural e arqueologia pública.

- Prof. Dr. Eduardo Neves
Atual presidente da Sociedade de Arqueologia Brasileira (Biênio 2009-2011). Doutor em Arqueologia pela Universidade de Indiana, Estados Unidos. É professor do Museu de Arqueologia e Etnologia Universidade de São Paulo, onde ensina na Graduação e Pós-Graduação. É credenciado para lecionar e orientar no programa de pós-graduação em Ciências do Ambiente da Universidade Federal do Amazonas. Foi consultor para a implementação do Curso Superior de Tecnologia em Arqueologia da Universidade do Estado do Amazonas. Lecionou e orienta projetos acadêmicos na Universidad del Centro de La Provincia de Buenos Aires, Olavarría, Argentina. Realiza pesquisas e orienta trabalhos acadêmicos na Amazônia brasileira, principalmente em sua porção ocidental.

- Prof. Dr. Hugo Nami
Doutor em Ciências Antropológicas pela Faculdade de Filosofia e Letras da Universidad de Buenos Aires (UBA). Pertence à "Carrera de Investigador Científico y Tecnológico del Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Tecnológicas de la República Argentina" com lugar de trabalho no Instituto de Geofísica “Daniel A. Valencio”, no Departamento de Ciências Geológicas da UBA. Atualmente é investigador associado à Dr. Dennis Stanford no Department of Anthropology, National Museum of Natural History, Smithsonian Institution em Washington D.C. (U.S.A.). Entre seus temas de investigação científica se encontram a arqueología de caçadores-recoletores com especial ênfase nos do Pleistoceno Superior e Holoceno Temprano, Povoamento do Novo Mundo, teoria arqueológica, arqueologia experimental, análises líticas enfatizando a tecnologia lítica experimental aplicada a problemas da América do Norte e do Sul, arqueologia da Argentina (com especial ênfase em Patagonia) e da República Oriental del Uruguay, paleomagnetismo aplicado a problemas arqueológicos e geofísicos do Pleistoceno final e Holoceno.

- Prof. Ms. Gonzalo Figueiro
Doutorando em Biologia Genética (Universidad de la República - Uruguai). Atualmente é assistente do projeto “¿Subestructuración genética en la población uruguaya?: descendientes de vascos en el Uruguay” (Comisión Sectorial de Investigación Científica, Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación. Responsable: Dra. Mónica Sans); e auxiliar efetivo da Seção de Genética Evolutiva (Departamento de Biología Animal, Instituto de Biología, Facultad de Ciencias).

Extraído da página da FURG: http://www.furg.br/index.php?id_noticia=15064
Read More

Escavação em Totó Pelotas/RS




Estão sendo realizadas escavações em Totó, sítio pré-histórico de habitação Guarani. O sítio está localizado às margens da Lagoa dos Patos e do Arroio Totó. As escavações fazem parte do projeto de pesquisa do mestrado de Aluizio, que é historiador e trabalha em Arqueologia há cerca de oito anos. Até o momento passaram pelo sítio Alunos de diversas áreas correlacionadas à Arqueologia como por exemplo, Museologia, Conservação e Restauro, História (UFPEL) e, alunos da graduação de Arqueologia da Universidade Federal do Rio Grande FURG.
Gostaria de frisar a generosidade e a disposição dos pesquisadores envolvidos no projeto que, permitiram a integração destes estudantes (inclusive eu) às práticas de campo, tão necessárias à familiarização com as metodologias, as quais estudamos e enfrentaremos daqui alguns anos. Soma-se à oportunidade de provar métodos práticos, a busca da superação da visão fragmentada do conhecimento científico, possibilitando o trânsito por outro viés.
Read More

I Ciclo Sul-Americano de Conferências de Arqueologia Pré-Histórica será realizado entre os dias 24 e 28 de maio de 2010, na cidade de Rio Grande, RS.

 

Conferencistas:

Prof. Dr. Denis Vialou

Prof. Dr. Eduardo Góes Neves

Prof. Dr. Eric Boeda

Prof. Dr. Hugo Nami

Profa. Dra. Denise Schaan

Ms. Gonzalo Figueiredo

Maiores informações em http://www.ciscap.furg.br/

 

 Semana academica ciscap

Read More